O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, disse nesta quinta-feira (17/9) esperar que o fluxo comercial de carne bovina para União Europeia seja retomado no primeiro semestre de 2027. As vendas do produto e também de carne de frango, ovos, mel e pescados para os europeus estão suspensas desde 3 de setembro, por questionamentos dos europeus sobre o controle do uso de antimicrobianos no Brasil.
A jornalistas, Perosa disse que a entidade teve notícia de que o Brasil será inserido novamente na lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco. A reinclusão abrangeria todos os produtos com exportação suspensa atualmente. Em maio, a Comissão Europeia retirou o país da lista, alegando falha na comprovação do controle do uso de antimicrobianos nas diversas cadeias.
Mesmo com uma reinserção, o retorno das exportações brasileiras de carne bovina podem demorar mais para ocorrer do que as de frango, por causa do ciclo de vida do gado. Enquanto um frango leva cerca de 40 dias para ficar pronto para abate, um boi demora de dois a três anos. Os europeus exigem a comprovação do cumprimento das regras sobre antimicrobianos desde o nascimento dos animais.
Após a exclusão do Brasil da lista de exportadores pela Europa, em maio, a indústria apresentou ao governo um protocolo privado de controle de antimicrobianos na cadeia de carne bovina, que foi aprovado. O documento detalha como toda a cadeia - pecuaristas e indústria -fará o controle.
Contudo, pecuaristas que começaram a aplicar o protocolo recentemente demorariam de dois a três anos até estarem aptos a exportar à Europa, no caso de o protocolo ser aceito pelos europeus. Por isso, a Abiec vem defendendo que a Europa adote um período de transição da implementação do protocolo.
“Estamos pressionando o governo [do Brasil] para que a União Europeia aceite o protocolo e depois o execute. É um assunto, penso, para ser resolvido não neste ano, mas no primeiro semestre do ano que vem, a volta do fluxo comercial”, disse Perosa. “Tem o prazo de voltar para a lista, de negociar o período de transição e de retomar o fluxo comercial”, continuou.
Em maio, o Brasil já havia pedido à UE que adotasse um período de transição para cumprimento das regras na cadeia bovina, especificamente. A ideia era que frigoríficos exportadores comprovassem, de imediato, que os bovinos não tinham recebido os medicamentos apenas nos nove meses anteriores ao abate, mas a UE não recebeu bem a ideia. A nova proposta, segundo Perosa, ainda está em negociação com o governo e não foi levada ao bloco.
Perosa confirmou que, na semana passada, foi concluída uma missão europeia que incluiu uma visita a uma fazenda de gado bovino do Brasil. Mas esta não teria sido a visita definitiva para avaliar fazendas brasileiras e a aplicação do protocolo. Ele também disse que a Europa considera fazer uma missão para visitar a cadeia de carne bovina, mas não deu detalhes sobre quando isso poderia ocorrer.
A retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina para a Europa afeta não somente as vendas para o bloco.
“Essa lista tem impacto em mais de 20 países que também seguem a legislação europeia, para além da União Europeia”, alertou o presidente da Abiec, citando países da África e outros com comércio com o continente.
Fonte: Globo Rural

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