A publicidade das bets pode sofrer novas restrições no Brasil. Uma audiência pública no Senado nesta terça-feira (7) defendeu medidas para limitar a divulgação dessas plataformas, principalmente quando há participação de influenciadores digitais, atletas e clubes de futebol.
Durante audiência, especialistas, representantes da sociedade civil e parlamentares afirmaram que a ampla exposição das bets contribui para o aumento de casos de uso compulsivo, endividamento e impactos na saúde mental. Parte dos participantes defendeu até mesmo a proibição da atividade.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou que a regulamentação atual não foi suficiente para conter os efeitos negativos do setor e defendeu o fim imediato da publicidade das apostas.
Segundo ele, a associação das marcas de bets a influenciadores, jogadores e times de futebol cria uma relação que pode estimular novos apostadores.
“Não pode haver influenciadores nem atletas promovendo apostas. É uma combinação explosiva”, declarou o senador durante o debate.
Relatos de famílias afetadas pelo vício
A discussão também contou com relatos de pessoas afetadas pelo vício em apostas. Jéssica Lobo, que atua contra a divulgação de bets após a morte da irmã, afirmou que a publicidade tem papel importante nas recaídas de pessoas que tentam abandonar o comportamento compulsivo.
Segundo ela, anúncios feitos por grandes influenciadores podem levar usuários a voltar a apostar após períodos sem acesso às plataformas.
Propaganda de bets com famosos preocupa órgãos
Representantes de órgãos de defesa do consumidor e das defensorias públicas alertaram para o impacto das apostas sobre famílias e serviços públicos.
A consultora Ione Amorim, do Instituto de Defesa de Consumidores em Serviços Financeiros, afirmou que a publicidade das bets está presente de forma constante no celular e contribui para o aumento do endividamento.
As apostas de quota fixa foram autorizadas no Brasil pela Lei 13.756, de 2018, mas só passaram a ter regras específicas de funcionamento com a Lei 14.790, de 2023. Para participantes da audiência, o período sem regulamentação favoreceu a expansão das plataformas e o crescimento da publicidade.
Fonte: Nd Mais
Foto: Reprodução/Senado/ND Mais

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