Quem passa pelo centro de Porto União, no Planalto Norte de SC, encontra uma cena inspiradora para moradores e comerciantes da região. Um agricultor emociona ao distribuir alimentos frescos e de graça no meio da rua.
Aos 86 anos, seu Levi Imianoski monta diariamente uma pequena prateleira com laranjas, limões, pokans, abóboras e chuchus com um aviso claro: “Custo Zero. Um pacote por pessoa”.
O gesto, que já se tornou conhecido entre moradores e comerciantes, nasceu de uma decisão simples do agricultor de não deixar que a produção excedente da chácara fosse desperdiçada.
“Eu não gosto de ver a fruta caída no pé apodrecendo. Então tem que dar para quem não tem”, afirma Levi.
Casado há 61 anos, ele conta com o apoio da sua fiel companheira, Gentile, de 83 anos. Juntos, eles colhem, cortam as frutas, quando necessário, empacotam e deixam na banca.
Da pandemia nasceu uma rotina de solidariedade
A história começou a ganhar força durante a pandemia. Acostumado a passar os finais de semana em sua propriedade na localidade de Avencal, Levi mudou-se definitivamente para o sítio e passou a dedicar ainda mais tempo ao cultivo das árvores frutíferas e da horta.
O que antes era uma distribuição semanal para moradores do prédio onde vivia na cidade, transformou-se em uma ação diária. Ao ND Mais, a filha Silvia Imianoski, conta que o hábito de compartilhar alimentos acompanha o pai há muitos anos.
“Quando morávamos em apartamento, ele levava cestas com frutas, verduras e legumes para deixar na portaria. Depois que veio morar no sítio, a produção aumentou muito e ele transferiu esse costume para a loja. Hoje ele leva o que tiver na época: laranja, limão, abóbora, chuchu. É uma iniciativa totalmente dele”, garante.
Um empresário respeitado que continua cultivando a terra
A prateleira fica em frente à empresa Comatol, de sua propriedade. Levi é conhecido na região não apenas pela generosidade, mas também pela trajetória empresarial.
Ao lado da família, ajudou a construir a história da Comatol, ao longo de mais de cinco décadas de atuação no setor de tratores e equipamentos agrícolas. Em reconhecimento à sua contribuição para o desenvolvimento do município, recebeu homenagem da Câmara de Vereadores de Porto União.
Mesmo com uma carreira consolidada, ele mantém uma rotina simples. Trabalha apenas parte do dia e dedica as tardes ao cuidado com a propriedade rural.
Entre uma colheita e outra, prepara os alimentos que serão distribuídos gratuitamente no dia seguinte.
“Ver as pessoas felizes me faz feliz”
O filho, André Imianoski, diz que a ação surgiu de forma espontânea e cresceu naturalmente conforme aumentava a produção no sítio.
“Meu pai foi para o sítio durante a pandemia e começou a cuidar ainda mais das frutas e do jardim. Primeiro levava um pouco para os clientes. Depois a produção cresceu e ele passou a distribuir na frente da loja. Hoje isso já faz parte da rotina dele”, relata.
Além das frutas e legumes, Levi também costuma preparar suco de laranja para presentear amigos e conhecidos.
A recompensa, segundo ele, não está no reconhecimento, mas na reação de quem recebe.
“O que eu vejo é que as pessoas ficam felizes. E por eu vê-las felizes, eu me sinto mais feliz ainda”, resume.
Agricultor emociona ao distribuir alimentos e inspira a comunidade
Todos os dias, por volta das 7h30, a prateleira é abastecida. Na maioria das vezes, antes mesmo do fim do expediente, já não sobra quase nada.
Aos 86 anos, ele segue cultivando muito mais do que frutas: cultiva solidariedade, esperança e um exemplo capaz de inspirar toda uma comunidade.
Fonte: Nada de mais
Foto: Arquivo pessoal/Reprodução/ND Mais

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