Pausas para hidratação influenciam resultado em mais de um terço dos jogos da Copa

Foto: Dylan Martinez/Reuters

Com o fim da primeira rodada da fase de grupos da Copa do Mundo, uma novidade virou tendência no torneio. A partir desta edição, todas as partidas do Mundial contam com a parada obrigatória para hidratação, ou hydration break, de acordo com o manual da Fifa. A dúvida que fica é se essas pausas impactam no desempenho das equipes e, consequentemente, no placar dos jogos.

Segundo levantamento do economista Bruno Imaizumi, é importante observar os cinco minutos anteriores e os cinco minutos seguintes à pausa para saber se ocorreu mudança de xG (expectativa de gols) ou do placar nas partidas. Ao fim dos 24 jogos da primeira rodada, cada um deles com duas paradas, em 17 oportunidades (35%) houve mudança no panorama dos jogos após as pausas.


Especificando por primeiro e segundo tempos, o levantamento mostra esses números:

- 10 mudanças após a parada para hidratação no primeiro tempo (41%)

- 7 mudanças após a parada para hidratação no segundo tempo (29%)


- A inversão de momentum pré/pós pausa de hidratação ocorre quando a vantagem de uma equipe antes da pausa é revertida depois dela, seja por xG ou por gols. Em termos práticos, isso acontece quando a equipe que estava melhor no período anterior passa a gerar menos xG que a adversária no período posterior, ou quando a diferença no placar é alterada após a pausa — detalha Bruno.

Em números absolutos, no primeiro tempo dos jogos ocorreram 14 gols antes da parada de hidratação e 19 gols após a pausa. Já na segunda etapa das partidas, foram 18 gols antes e 24 gols após a parada de hidratação. Neste caso, vale a ressalva que é levado em consideração todo o tempo antes e após a pausa, sem especificar recorte de minutos, por exemplo.

O gráfico acima mostra o exemplo de Brasil x Marrocos: não houve mudança de momentum de xG, mas houve mudança em gol (após a pausa no primeiro tempo, a seleção brasileira conseguiu o gol).


Comparação com as pausas no Brasileirão

Até o fim de março, as paradas para hidratação também eram obrigatórias no Campeonato Brasileiro 2026. Após esse período, as pausas se tornaram opcionais. Na competição nacional, o jogo era paralisado aos 30 minutos do primeiro tempo, na maioria da vezes. Já nesta Copa do Mundo, as pausas ocorrem bem próximas à metade de cada tempo (22 minutos e 30 segundos).


Outro ponto importante é que, neste Mundial, o tempo médio de hidratação é cerca de 40 segundos maior que no Brasileirão deste ano, o que permite um período maior de descanso para os atletas e de orientação por parte dos técnicos, podendo fazer ajustes nas equipes.


Apesar destes dados, não foi encontrada nenhuma evidência significativamente estatística sobre as pausas de hidratação observadas no Brasileiro 2026.

O que diz a Fifa

A entidade definiu que, ao contrário do que ocorreu na Copa do Mundo de Clubes 2025, quando a pausa para hidratação era opcional, a Copa do Mundo 2026 terá duas paradas obrigatórias por jogo para que os atletas se reidratem e também para garantir condições iguais para todas as seleções, independentemente de clima ou temperatura do local.

*Gato Mestre é formado pelos jornalistas Arthur Sandes, Davi Barros, Felipe Tavares, Guilherme Maniaudet, Gustavo Figueiredo, Leandro Silva, Lorrayne Vieira (estagiária), Roberto Maleson, Rodrigo Breves e Valmir Storti, pelos cientistas de dados Bruno Benício e Vitor Patalano e pelo programador Gusthavo Macedo.


Fonte: Ge.globo