Declaração da mãe de Juliane gera repercussão após onda de comentários nas redes

Foto: Catve

A repercussão das declarações da advogada Juliane Suellen Vieira dos Reis sobre o resgate durante o incêndio que destruiu um apartamento no Centro de Cascavel, em outubro do ano passado, levou a mãe dela, Sueli Vieira dos Reis, a se manifestar publicamente nesta quarta-feira (10).

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Sueli rebateu as críticas e os comentários direcionados à filha após ela afirmar que pretende processar o Estado e que preferiria ter pulado do prédio a ser retirada por dentro do apartamento em chamas. "Minha filha foi queimada viva, sim", afirmou emocionada.

Sueli disse que não pretendia se pronunciar, mas decidiu gravar o vídeo após ver mensagens desejando a morte da filha. "Ela recebeu comentários dizendo: 'você é ingrata', 'por que você não morreu?', 'era melhor ter morrido'. Para vocês que vêm na internet vomitar essas coisas, eu peço: nunca passem por uma situação dessas", disse.

A mãe relembrou os mais de três meses em que Juliane permaneceu internada na Unidade de Terapia Intensiva, entre a vida e a morte. "Nós sobrevivemos a uma UTI. Foram três meses e sete dias. Eu passei pela pior dor que um ser humano pode passar, que é quase perder um filho", afirmou.

Segundo Sueli, a filha preferia ter morrido a ser queimada. "Sim, minha filha preferia ter morrido a ser queimada viva. Vocês não sabem o que é uma queimadura. Não sabem o que é uma pessoa ser queimada", desabafou.

Ela também voltou a questionar a forma como o resgate foi conduzido e afirmou que o episódio trouxe mudanças na estrutura de combate a incêndios em Cascavel. "Na mesma semana do incêndio, Cascavel ganhou uma escada. Uma coisa que não tinha", declarou.

Apesar do medo que a família viveu, Sueli disse que a filha pretende continuar lutando. "O Estado tentou encobrir um resgate muito mal feito. Minha filha sobreviveu para lutar contra esses protocolos que dizem seguir", afirmou.

Relembre o caso

No início do mês, Juliane Vieira, de 29 anos, voltou a falar sobre o incêndio ocorrido em 15 de outubro de 2025, no 13º andar de um edifício no Centro de Cascavel.

Na ocasião, imagens que repercutiram em todo o país mostraram a advogada pendurada do lado de fora do prédio, apoiada em um suporte de ar-condicionado, enquanto resgatava a mãe e um primo de quatro anos pela janela.

Em vídeos publicados nas redes sociais, Juliane afirmou que não sofreu queimaduras enquanto estava do lado de fora do prédio e que os ferimentos ocorreram durante o resgate realizado por dentro do apartamento. "Se eu soubesse que eles iam tentar me matar, me tirando pelo fogo, eu teria pulado", afirmou.

Eu fui queimada viva, diz advogada ao anunciar processo contra o Estado

Ela também anunciou que pretende processar o Estado. Juliane teve 63% do corpo queimado, ficou internada por cerca de três meses no Hospital Universitário de Londrina, especializado em queimados. 

A perícia concluiu que o incêndio foi acidental e teve início na cozinha do apartamento.

Procurado, o comando do Corpo de Bombeiros de Cascavel informou que não irá comentar o caso.


Fonte: Catve