Um hotel no Centro de Blumenau e uma pedreira às margens da BR-470, em Gaspar, aparecem citados como pontos de encontro de reuniões secretas, em uma investigação do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) sobre um suposto esquema milionário envolvendo fraude em licitações, divisão de obras públicas e pagamento de propina de um cartel de obras.
As informações constam em uma decisão da Vara Estadual de Organizações Criminosas, que autorizou medidas cautelares em investigação conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas).
O processo apura suspeitas de corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro e direcionamento de contratos públicos ligados à prefeitura de Blumenau.
Reuniões secretas
Segundo o documento da Operação Ponto Final, empresários e servidores públicos investigados teriam feito encontros reservados em diferentes locais para tratar de obras públicas e acordos relacionados a licitações. Entre os pontos citados está uma sala reservada de um hotel localizado na rua 7 de Setembro, no Centro de Blumenau.
A investigação também menciona reuniões em uma pedreira situada às margens da BR-470, em Gaspar. Conforme o relato incluído no processo, representantes de empresas se reuniriam no local para discutir previamente quais companhias venceriam determinadas licitações públicas.
Além dos encontros em hotel e pedreira, a investigação aponta que algumas reuniões também teriam ocorrido em sedes de empresas privadas. Um dos trechos do processo menciona encontros realizados no escritório de uma empresa de engenharia em Blumenau.
Ao longo das mais de 160 páginas da decisão, obtido pela equipe da NDTV Record, o Ministério Público pede busca e apreensão, quebra de sigilos, interceptações telefônicas, bloqueio de bens e outras medidas cautelares contra empresários e agentes públicos investigados.
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) cumpriu mandados de busca e apreensão em Blumenau e Indaial, no Médio Vale, e Rio do Sul, no Alto Vale, na manhã de quarta-feira (29), na operação que investiga um cartel entre empresários investigado por fraudar licitações públicas.
A investigação apura a prática de crimes contra a administração pública, relacionados aos crimes de associação criminosa, fraude a licitações em massa, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, falsidade ideológica e ainda sonegação fiscal.
As investigações teriam iniciado após dois empresários denunciarem o cartel, que é formado por servidores públicos de Blumenau e empresas da região. Dos 47 contratos que estão sendo investigados, 38 são da cidade.
O cartel teria movimentado mais de R$ 600 milhões em um esquema de crime organizado, lavagem de dinheiro e fraude. A maioria dos contratos envolve obras iniciadas entre 2021 e 2024, mas outros são prévios a esse período. Alguns ainda são vigentes e há uma decisão judicial tentando suspendê-los.
Fonte: Nd Mais
Foto: Gaeco/ND Mais

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