Uma operação para desarticular um esquema de atestados médicos falsos para pedidos de prisão domiciliar foi deflagrada em Itajaí, Balneário Camboriú, Joinville e outras cidades de Santa Catarina, além do Paraná. Ao todo, 35 mandados judiciais estão sendo cumpridos. A operação Efeito Colateral foi deflagrada na manhã desta terça-feira (5).
A investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), indica que uma advogada atuava em conluio com um médico para a emissão de atestados ideologicamente falsos, simulando comorbidades graves e inexistentes para fundamentar pedidos de liberdade ou prisão domiciliar.
Os documentos falsos tinham como finalidade instruir pedidos de concessão de prisão domiciliar em benefício de detentos recolhidos no Complexo Penitenciário de Itajaí.
Também são alvos da operação Efeito Colateral indivíduos que receberam o benefício da prisão domiciliar e estão atualmente foragidos por terem infringido as regras impostas pelo Poder Judiciário.
As análises de evidências realizadas pelo Gaeco identificaram diversos arquivos contendo imagens de atestados médicos, exames e receituários, além de tratativas entre os investigados, cujo teor indica ajustes para a elaboração de diagnósticos médicos utilizados em processos judiciais para o afastamento de apenados do sistema penitenciário.
Médico que falsificava atestados para soltar líderes de facções é alvo de operação
As apurações do Gaeco indicam que os apenados beneficiados pelo esquema investigado, em sua maioria, são lideranças criminosas que, uma vez em prisão domiciliar, frequentemente rompem a tornozeleira eletrônica e tornam-se foragidos, o que evidencia a gravidade das condutas investigadas.
Diante dos indícios reunidos, o Poder Judiciário, por intermédio da Vara Estadual de Organizações Criminosas, deferiu mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e empresariais vinculados aos investigados, com a finalidade de recolher documentos, equipamentos eletrônicos, mídias e outros elementos probatórios relevantes para o esclarecimento da materialidade dos fatos, da autoria e da eventual participação de terceiros.
Na deflagração da operação, o Gaeco conta com o apoio técnico da Polícia Científica de Santa Catarina, com vistas à preservação da cadeia de custódia das evidências arrecadadas.
Os dispositivos eletrônicos apreendidos serão encaminhados à Polícia Científica, que realizará perícia especializada para análise técnica e extração de dados, os quais serão analisados pelo Gaeco para dar prosseguimento às investigações, delimitar condutas e identificar eventuais envolvidos.
Durante a ação, um policial militar do Pelotão de Patrulhamento Tático do 12º Batalhão de Polícia Militar foi ferido por um disparo de arma de fogo na perna. O PM foi socorrido e encaminhado a um hospital.
Fonte: Nd mais
Foto: Gaeco/Divulgação/ND Mais

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