Os três disparos que mataram Roseli Montardin, em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, foram ouvidos pela bombeira civil Cristiane de Fátima Bortolini, que estava em um ginásio próximo no momento do crime. A vítima foi assassinada na manhã de sábado (25), na frente dos três filhos menores. O principal suspeito é o ex-companheiro, que se entregou à polícia nesta semana.
Em entrevista ao jornalista Felipe Kreusch, no programa Tribuna do Povo, Cristiane contou que ministrava uma aula para 36 crianças do projeto de bombeiros mirins quando ouviu os tiros. Instintivamente, saiu para verificar o que havia acontecido, após também escutar o choro vindo do lado de fora.
Antes de deixar o local, ela garantiu a segurança dos alunos, orientando que permanecessem dentro do ginásio. Ao chegar na residência, se deparou com as três crianças que estavam ao redor do corpo da mãe.
“Saí para fora, deixei as crianças protegidas dentro do ginásio, para eles não irem para a rua. Quando cheguei, ela estava caída e os filhos ao redor”, relatou.
Segundo a bombeira, o filho mais velho reconheceu a farda e pediu ajuda desesperadamente. “Ele segurou na minha mão e pediu para eu ajudar a mãe dele a respirar. Eu fui até ela, mas não havia mais o que fazer”, contou.
“Meu anjo, a mãe não respira mais”
Diante da situação, Cristiane tentou acolher as crianças. “Eu disse: ‘meu anjo, a mãe não respira mais’. Abracei eles e levei para dentro da casa”, afirmou. O filho de 4 anos já havia sido retirado do local por pessoas que passavam pela rua, mas também foi acolhido posteriormente.
Outro momento que marcou a ocorrência foi a reação de um dos filhos, de 8 anos, que tentou reanimar a mãe. “Ele chacoalhava ela e pedia para voltar a respirar, dizia que ela precisava cuidar deles”, disse.
Cristiane destacou ainda o impacto emocional da situação para as crianças, que associam a figura do bombeiro a alguém que sempre consegue salvar vidas. “Para eles, o bombeiro é um herói. Naquele momento, ele acreditava que eu poderia salvar a mãe dele, mas infelizmente não havia mais o que fazer”, lamentou.
De acordo com o relato, o autor do crime já havia fugido quando ela chegou ao local. “Não deu nem três minutos dos disparos até eu sair do ginásio, mas ele já não estava mais ali”, completou.
Roseli Montardin, de 47 anos, foi assassinada com três disparos de arma de fogo no rosto na manhã de sábado (24), em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. Vítima de feminicídio, ela deixa quatro filhos, três deles menores de idade.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Deonir Moreira Trindade, o principal suspeito, ex-companheiro da vítima, se apresentou espontaneamente à polícia na tarde de terça-feira (28), acompanhado de advogado.
Segundo a investigação, após atirar contra Roseli dentro da casa dela e na frente dos filhos, o homem enviou um áudio a uma terceira pessoa confessando o assassinato e pedindo que alguém fosse até o local buscar as crianças.
Fonte: ND mais
Foto: Divulgação/ND Mais

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