Dois anos após enchentes, RS ainda reconstrói 25 mil casas e 209 escolas

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Dois anos após as enchentes históricas que devastaram o Rio Grande do Sul em maio de 2024, o cenário no Estado ainda é de intenso trabalho de recuperação.

Segundo dados atualizados do Governo Federal e pela Secretaria da Reconstrução Gaúcha, cerca de 25 mil unidades habitacionais e 209 escolas estaduais e municipais permanecem em diferentes estágios de reconstrução.

O balanço marca o biênio da catástrofe climática com um misto de avanços em infraestrutura e desafios logísticos. As informaçòes foram divulgadas na segunda (28).

A força-tarefa mobilizada para recuperar o território gaúcho já injetou bilhões de reais na economia local, mas a complexidade das obras em áreas de risco e a necessidade de novos mapeamentos geológicos influenciam o cronograma.

O desafio das 25 mil moradias e o programa Compra Assistida

O setor habitacional continua sendo o ponto de maior sensibilidade social. Das milhares de famílias que perderam seus lares na enchente, 25 mil ainda aguardam a entrega definitiva de suas residências.

O Governo Federal tem priorizado o programa Compra Assistida, que permite a aquisição de imóveis prontos pela Caixa Econômica Federal para doação às vítimas.

Entretanto, em municípios onde o mercado imobiliário não dispõe de estoque suficiente, como em regiões do Vale do Taquari, a solução tem sido a construção de novos conjuntos habitacionais do zero. Esses projetos enfrentam trâmites de licenciamento ambiental rigorosos para garantir que as novas moradias não sejam erguidas em áreas suscetíveis a novos desastres.

Educação em recuperação: 209 escolas em obras

Na área da educação, o levantamento aponta que 209 instituições de ensino ainda recebem intervenções. Dessas, uma parcela significativa utiliza metodologias de construção industrializada para acelerar a entrega. O Ministério da Educação e o governo estadual direcionaram recursos que ultrapassam os R$ 600 milhões apenas para a infraestrutura escolar desde o início da crise.

Muitas dessas escolas operaram de forma improvisada ou em turnos alternados durante os últimos 24 meses. A meta dos órgãos de educação é concluir as reformas estruturais até o final do ano letivo de 2026, garantindo que os estudantes retornem a ambientes seguros e resilientes a eventos climáticos extremos.

Balanço financeiro e transparência nos investimentos

Até o momento, o volume de recursos anunciados para a reconstrução do Rio Grande do Sul ultrapassa a marca de R$ 111 bilhões por parte da União, com aproximadamente R$ 90 bilhões já efetivamente pagos. O governo estadual, por meio do Plano Rio Grande, destinou outros R$ 14 bilhões para frentes que incluem desde o desassoreamento de rios até o apoio financeiro direto a pequenos empreendedores.

Especialistas em gestão pública ressaltam que, embora o montante seja histórico, a execução esbarra na escassez de mão de obra qualificada e na alta demanda por materiais de construção civil na região Sul, o que eleva custos e amplia prazos.

Mapeamento tecnológico para evitar novos desastres

Para além de reconstruir o que foi perdido, o foco atual das autoridades é a prevenção. Estão sendo investidos mais de R$ 40 milhões em mapeamento topográfico e aerofotogramétrico de 186 municípios. O objetivo é criar um sistema de proteção contra cheias mais moderno, substituindo estruturas que colapsaram em 2024.

Novos radares meteorológicos e estações hidrometeorológicas estão sendo instalados para refinar o sistema de alertas à população, buscando transformar o Rio Grande do Sul em um estado modelo em resiliência climática no Brasil.

Fonte: ND+