Em um desabafo nas redes sociais, Monique dos Santos, publicitária de Balneário Camboriú, compartilhou a dolorosa jornada que viveu desde o nascimento e perda de suas três filhas gêmeas, Maythê, Eloa e Alana.
Com uma gestação trigemelar idêntica de mais de cinco meses, considerada de alto risco por sua condição de hipertensão crônica, Monique vinha fazendo acompanhamento rigoroso. O sonho de ser mãe, no entanto, foi interrompido no dia 13 de setembro.
Mãe relata perda trágica de trigêmeas
A mãe relata que começou a sentir dores intensas e, ao procurar o hospital, foi internada imediatamente com cinco dedos de dilatação.
Ela descreve a sequência de eventos no quarto, começando com uma aplicação de soro e medicamentos que seriam para segurar as crianças e controlar sua pressão alta, e lhe causaram uma forte náusea.
“Quando eu vomitei, acabou corrompendo uma bolsa minha e estourou”, conta ela. A partir daquele momento, o parto começou. A primeira bebê, segundo Monique, nasceu viva. “O Andrei, o meu esposo, ele chegou a ver, cortarem o cordãozinho umbilical e levaram ela”, recorda.
Segundo Monique, as outras duas nasceram logo em seguida. A família teria sido inicialmente informada de que as três meninas estavam vivas. Mas, em seguida, um médico teria dito que só uma criança sobreviveu.
Porém, um pouco depois, veio a notícia final. “Entrou um outro médico na sala falando para mim que nenhuma tinha sobrevivido e que elas eram fetos e que não tinha possibilidade delas sobreviverem, que não tinha o que fazer”.
A mãe fala contra essa classificação. “Elas não eram fetos, já tinha mais de 5 meses. Elas estavam totalmente formadas. Elas tinham mãozinha, pezinho, cabecinha, tudo, tudo”, ela argumentou.
A experiência continuou quando ela foi levada à maternidade. “Eles me levaram para maternidade onde tinha um monte de mãe com seus filhos e eu fui com os braços vazios, com o útero vazio e sem as minhas meninas”, relembra.
Monique compartilha experiência com hospital
No dia seguinte, 14 de setembro, Monique conta que teria recebido alta com um atestado de 15 dias por aborto espontâneo e uma receita para dor.
“Eu não recebi nenhum documento, nenhuma declaração de óbito. Eu não recebi nada com que eu pudesse registrar as meninas. Eu não recebi nada com que eu pudesse velar elas. Eu não recebi nada. Só a dor de não ter levado elas para casa”, ela afirma.
A mãe alega no vídeo que teria sido necessário que seu sogro fosse até o hospital para conseguir os documentos para que as meninas fossem registradas e veladas. Os custos teriam sido cobertos pela Assistência Social.
“Foi negligência do hospital conosco”, afirma. “Infelizmente, toda essa negligência que aconteceu não vai trazer as minhas meninas de novo”.
O que diz o hospital sobre perda trágica de trigêmeas
Em nota, o Hospital Regional Ruth Cardoso (HRRC) lamentou o ocorrido e se solidarizou com a mãe e familiares. Além disso, eles fizeram um esclarecimento sobre a classificação de abortamento espontâneo.
“A viabilidade neonatal é geralmente reconhecida apenas a partir de 22 a 24 semanas, faixa considerada compatível com vida extrauterina, porém ainda com sobrevida reduzida e alta probabilidade de sequelas”, explica a nota.
Estas informações são baseadas nas informações do Ministério da Saúde e literatura médica de referência. Segundo o HRRC, as filhas de Monique possuíam 20 semanas, o que se trataria de uma condição incompatível com a vida fora do útero, mesmo com os melhores recursos clínicos disponíveis.
De acordo com o hospital, os protocolos obstétricos foram rigorosamente seguidos no caso relatado, o que inclui medidas cabíveis para tentar prolongar a gestação e oferecer a melhor assistência possível.
No fim do ocorrido, o Ruth Cardoso alega que a equipe multiprofissional prestou suporte e acolhimento aos pais e familiares, conforme as boas práticas de humanização preconizadas pelo Ministério da Saúde.
“A equipe do HRRC lamenta profundamente o ocorrido e se solidariza com a mãe e familiares. Reiteramos que não houve erro ou negligência no atendimento, mas sim um desfecho de extrema gravidade clínica, biologicamente determinado pela idade gestacional”, conclui a nota.
Encontrando força na memória
Monique agora lida com a dor da perda. “Deus plantou o desejo dentro de mim de ser mãe e parece que foi cortado no meio. A fome não vem, o sono. Eu nunca mais dormi direito e o silêncio se impregnou em mim”, lamentou.
Em meio ao sofrimento, ela e o marido encontraram formas de eternizar a memória das filhas, tatuando os pezinhos e a data de nascimento delas. Monique se apega à certeza de que suas filhas estão em um bom lugar.
“Eu não perdi minhas filhas porque você perde quando você não sabe onde elas estão. E eu sei que elas estão num lugar muito bonito agora”. Ela agradece o imenso carinho que recebeu de amigos, familiares e desconhecidos, que amaram suas meninas antes mesmo de conhecê-las.
Agora, ela e o marido buscam seguir em frente, guiados pela lembrança das filhas. “Maitê, Eloa, Alana, mamãe ama muito vocês, muito mesmo. E agora mamãe e papai vão seguir alguns sonhos diferentes. E espero que vocês fiquem observando a nossa caminhada até lá”, finalizou
Fonte: ND+
Foto: @monique_s.r/Instagram/Reprodução/ND

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