Ataque cultural, bonecos históricos do Berbigão do Boca são queimados na capital catarinense

Jornal Razão

Dois bonecos tradicionais do Berbigão do Boca foram incendiados na noite de domingo (8), em Florianópolis, em um episódio de vandalismo que causou revolta entre organizadores e moradores.

As esculturas estavam armazenadas em um pavilhão próximo ao Mercado Público, após terem desfilado com foliões na última sexta-feira (6), quando o bloco abriu oficialmente o Carnaval na Capital. O local contava com segurança privada.

Segundo informações repassadas à imprensa, o incêndio ocorreu por volta das 21h30. As chamas atingiram dois bonecos e foram controladas rapidamente, o que evitou que o fogo se espalhasse para as demais esculturas.

Os bonecos destruídos retratavam o jornalista Aldírio Simões e Hélio Cabrinha, ex-presidente da escola de samba Os Protegidos da Princesa. Ambos são figuras históricas do Carnaval de Florianópolis e foram homenageados de forma póstuma, conforme a tradição do Berbigão do Boca, que cria bonecos apenas de pessoas já falecidas e com relevância cultural para a cidade.

O idealizador do evento, Nado Garofallis, afirmou que a suspeita inicial é de que moradores em situação de rua tenham ateado fogo nos bonecos. Segundo ele, o vigilante percebeu a situação e agiu rapidamente para afastar as demais esculturas do foco do incêndio.

A Guarda Municipal de Florianópolis realizou rondas na região para tentar localizar possíveis suspeitos, mas ninguém foi encontrado. Um boletim de ocorrência foi registrado, e imagens de câmeras instaladas nas proximidades estão sendo analisadas.

Ao todo, o Berbigão do Boca conta com 44 esculturas. Cada boneco tem custo médio estimado em R$ 8 mil. Duas foram totalmente destruídas.

O Berbigão do Boca é reconhecido como patrimônio cultural imaterial de Florianópolis e reúne cerca de 150 mil pessoas, com programação que se estende por cerca de 12 horas, marcando oficialmente o início do Carnaval na cidade.

Foto: Jornal Razão